Dia 78 · quinta-feira, 19 de março

O Teu Povo, o Meu Povo

"Rute, porém, respondeu: "Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus!"RUTE 1:16

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Transcrição

Meu querido, que bom estar de novo com você. By God's Call — dia 78, O Teu Povo, o Meu Povo.

"Rute, porém, respondeu: 'Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus!'" Rute 1:16.

Essa é, talvez, uma das declarações mais amadas de toda a Bíblia. E ela ganha muito mais força quando você entende o contexto de onde ela nasceu.

Noemi tinha perdido o marido e os dois filhos, todos em terra estrangeira, em Moabe. Suas duas noras, Rute e Orfa, também tinham ficado viúvas. E Noemi, decidida a voltar para Belém, faz algo generoso e desprendido: ela libera as duas para voltarem para suas próprias famílias, para tentarem reconstruir a vida entre os seus. Orfa, depois de chorar, aceita o conselho e vai embora — uma decisão perfeitamente razoável, ninguém pode culpá-la por isso.

Mas Rute não vai. Rute se apega a Noemi e diz essas palavras que atravessaram três mil anos.

Repara em quem é Rute. Ela é moabita — de um povo estrangeiro a Israel, com deuses diferentes, costumes diferentes, história diferente. A lealdade dela não nasce de obrigação de sangue ou de pertencimento tribal. Ela escolhe atravessar a fronteira que normalmente separava essas duas nações. Ela escolhe um povo que não era o seu, uma terra que não era a sua, um Deus que não era o dela — por amor a uma sogra viúva e pobre, que não tinha nada material para oferecer em troca.

E olha a progressão das palavras dela: "aonde fores irei, onde ficares ficarei." Isso não é apenas companhia física. É aceitar o mesmo destino. Se Noemi for pobre, Rute será pobre. Se Noemi enfrentar rejeição como estrangeira retornando com uma nora moabita, Rute vai enfrentar essa rejeição também. Não há garantia nenhuma de que as coisas vão dar certo. Rute está assinando embaixo de um futuro incerto, só porque escolheu não abandonar quem ela amava.

Mas a parte mais radical vem depois: "o teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus." Essa frase vai além da lealdade humana. Rute está abandonando os deuses de Moabe, a religião em que provavelmente foi criada, para adotar o Deus de Israel — sem ter visto ainda nenhuma prova, nenhuma recompensa, nenhuma bênção visível. Ela crê antes de ver. Ela se compromete antes de receber qualquer confirmação de que valeria a pena.

E Deus honra essa lealdade de um jeito que Rute nunca poderia ter imaginado naquele momento. Ela vai se tornar bisavó do rei Davi. A sua fidelidade silenciosa, sem plateia, sem cálculo de benefício próprio, entra na própria linhagem que um dia vai gerar o Messias.

Esse tipo de amor tem um nome em hebraico: hesed. É a lealdade que ultrapassa o que é exigido. É o compromisso que continua quando ninguém está cobrando. É a fidelidade que escolhe ficar quando seria mais fácil, mais seguro, mais razoável, ir embora.

Então hoje eu te pergunto: existe alguém na sua vida que precisa exatamente desse tipo de lealdade? Alguém sozinho, desamparado, numa fase difícil, que você poderia, com um gesto concreto, dizer: onde você for, eu vou também? Não precisa ser dramático. Pode ser uma ligação, uma visita, uma decisão de não abandonar alguém que o mundo já abandonou. Seja uma Rute hoje.

Até amanhã, meu querido.