Dia 158 · domingo, 7 de junho

Onde Você Estava

""Onde você estava quando lancei os alicerces da terra? Responda-me, se é que você sabe tanto."JÓ 38:4

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Transcrição

Oi, meu querido… que bom ter você comigo hoje. É o By God's Call — dia 158, Onde Você Estava.

"Onde você estava quando lancei os alicerces da terra? Responda-me, se é que você sabe tanto." Jó 38:4.

Trinta e sete capítulos. É esse o tamanho da espera. Jó questionou, chorou, argumentou, se defendeu, ouviu os amigos discursarem sobre culpa e castigo, e o tempo todo pediu uma coisa só: uma resposta de Deus. "Por que isso está acontecendo comigo?" Ele queria entender. Ele merecia, ao menos aos próprios olhos, uma explicação.

E então, finalmente, no capítulo 38, Deus fala.

Mas repara como Ele fala: "do meio da tempestade." Não é uma voz suave, não é um sussurro consolador. É uma presença esmagadora, um vendaval que sacode tudo. E a primeira coisa que sai da boca de Deus não é uma explicação do sofrimento de Jó. É uma pergunta: "Onde você estava quando lancei os alicerces da terra?"

À primeira vista, isso pode parecer duro. Jó está sofrendo, e Deus responde com uma pergunta que parece só destacar a pequenez dele. Mas olha mais de perto — essa pergunta não vem para humilhar por crueldade. Ela vem para reposicionar. Jó tinha passado o livro inteiro tentando julgar as ações de Deus com a régua de um ser humano. E Deus, gentilmente e com uma ironia quase carinhosa, pergunta: "você estava lá quando eu formei os alicerces do universo? Me conta, já que você sabe tanto."

Não é zombaria. É um convite a lembrar do tamanho real das coisas. Porque a gente também faz isso — a gente também tenta julgar os planos de Deus com o entendimento limitado que temos, como se déssemos conta de enxergar o quadro inteiro. E Deus, com essa pergunta, não está fechando a porta para o diálogo. Está abrindo os olhos de Jó para uma verdade maior: existe sabedoria que está além da nossa capacidade de compreender completamente — e está tudo bem.

E aqui está o que mais me impressiona nessa passagem: Deus nunca explica o porquê do sofrimento de Jó. Nunca. Os capítulos que seguem falam sobre a criação, os animais, as estrelas, o mar — mas em nenhum momento Deus diz "você sofreu porque tal coisa aconteceu." Em vez de uma explicação, Deus oferece a Sua própria presença. E, de alguma forma misteriosa, isso é suficiente para Jó. No final do livro, ele diz: "eu tinha ouvido falar de ti, mas agora os meus olhos te veem." Não a resposta que ele pediu. Mas o encontro que ele precisava.

Isso me faz pensar em quantas vezes a gente também está preso numa pergunta que Deus talvez nunca responda diretamente — o "por quê" de uma perda, de uma doença, de um sonho que não se realizou. E talvez, meu querido, a resposta que estamos esperando não seja o que Deus vai oferecer. Talvez Ele esteja oferecendo, em vez disso, a própria presença. E talvez isso seja o suficiente — não porque o sofrimento deixe de doer, mas porque você não está mais sozinho nele.

Então hoje, eu quero te convidar a fazer uma troca. Em vez de repetir o "por quê" que talvez nunca receba resposta completa, ore pedindo a presença de Deus. Diga: "Deus, eu não entendo, mas eu quero Te sentir aqui, comigo, agora." Essa oração muda tudo, mesmo quando as circunstâncias continuam iguais.

Fica com Deus. Ore — e depois, aja. Até amanhã, meu querido.