Dia 146 · terça-feira, 26 de maio

Bendito Seja

"e disse: "Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor "."JÓ 1:21

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Transcrição

Oi, meu querido… que bom ter você comigo hoje. É o By God's Call — dia 146, Bendito Seja.

"Saí nu do ventre da minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor." Jó 1:21.

Eu preciso que você entenda o peso do momento antes de ouvir as palavras. Num único dia — não numa semana, não num mês, num único dia — Jó recebeu notícia atrás de notícia. Os bois e jumentas roubados. Os servos mortos. As ovelhas queimadas. Os camelos levados. E então, a pior de todas: os dez filhos, reunidos na casa do irmão mais velho, mortos quando a casa desabou sobre eles. Uma mensagem ainda estava sendo dita quando o próximo mensageiro chegava correndo. Não houve tempo de respirar entre uma perda e outra.

E o que Jó faz primeiro não é fingir força. Ele se levanta, rasga as próprias vestes, raspa a cabeça — os sinais mais antigos e mais honestos de luto que existiam naquela cultura. Ele não escondeu a dor. Não engoliu o choro. A adoração que vem depois não nasce da negação — nasce do meio da dor mais crua que um ser humano pode sentir.

E então ele se prostra no chão e diz: "Nu saí do ventre da minha mãe, e nu partirei." Antes de tudo — antes das ovelhas, antes dos servos, antes até dos filhos — Jó não tinha nada. Vim ao mundo sem posse nenhuma. E vou sair da mesma forma. Isso não diminui a dor da perda. Mas reordena alguma coisa fundamental: nada que eu tinha era realmente meu para começar. Era dado. Era emprestado. Era graça.

E então vem a frase que atravessou os séculos, repetida em velórios, em hospitais, em noites de luto ao redor do mundo: "o Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor." Repara na estrutura dessa frase. Jó não divide Deus em duas metades — um Deus bom que só dá, e um destino cruel que só tira. Ele atribui os dois movimentos ao mesmo Deus. O Deus que ele adorava quando tudo estava bem é o mesmo Deus que ele adora agora, no meio da devastação total.

Isso não é resignação vazia. Não é um "tanto faz". É a fé mais profunda que existe — aquela que continua confiando em Deus mesmo quando Deus não explica nada. Porque olha bem: Jó nunca recebeu, em vida, uma explicação clara do porquê daquilo tudo. Ele nunca soube da conversa no céu, da permissão dada, do teste em curso. Ele simplesmente ficou sem respostas — e ainda assim abençoou o nome do Senhor. A fé dele veio antes do entendimento. Não depois.

Meu querido, talvez você esteja carregando uma perda que ainda dói. Talvez seja recente, talvez seja antiga, talvez seja algo que você nunca conseguiu processar completamente. Eu não vou te dizer que a dor não é real, ou que você precisa "seguir em frente" rápido demais. Mas eu vou te convidar a fazer o que Jó fez: chorar de verdade, e ainda assim abençoar.

Então hoje, antes do café da manhã, nomeia uma perda que ainda dói. Diga o nome dela em voz alta. E depois, com toda a honestidade que você tiver, diz também: "o Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor." Não porque você entende tudo. Mas porque Ele ainda é digno, mesmo quando o coração está partido.

Fica com Deus. Chore — e depois, abençoe. Até amanhã, meu querido.