Dia 90 · terça-feira, 31 de março

Em memória de mim

"Tomando o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: “Isto é o meu corpo dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim”."LUCAS 22:19

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Transcrição

Oi, meu querido… que bom ter você comigo hoje. É o By God's Call — dia 90, Em memória de mim.

Lucas vinte e dois, versículo dezenove: "Tomando o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Isto é o meu corpo dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim."

Deixa isso pousar um momento.

Essa cena aconteceu à noite. Não qualquer noite — a noite em que um dos seus ia entregá-lo. A noite em que os outros iam fugir. Jesus sabia de tudo. Ele enxergava a cruz já do outro lado da mesa. E ainda assim — ele tomou o pão, e deu graças.

Não fingiu que estava tudo bem. Não desviou o olhar. Ele olhou de frente para o que vinha, e encontrou motivo para gratidão mesmo assim. Isso me pára. Porque a nossa gratidão, a maioria do tempo, depende de como o dia está. Depende de como a gente se sente. Mas a gratidão de Jesus não dependia das circunstâncias — e a dele pode moldar a nossa.

Ele disse: "Isto é o meu corpo dado em favor de vocês."

Em favor de vocês. Não "pela humanidade" num sentido vago e genérico. Em favor de você — com nome, com rosto, com história. A cruz não é doutrina distante, fria, para se estudar de longe. É uma entrega. É um corpo partido que tem o seu nome no destinatário. Deixa isso entrar devagar.

E então ele disse: "Façam isto em memória de mim."

Ora, por que uma refeição? Por que não um texto, um monumento, uma cerimônia elaborada? Porque Jesus nos conhece. Ele sabe que nós esquecemos rápido. A nossa memória vaza. Hoje a graça nos move, amanhã a rotina engole tudo. Então ele não confiou a lembrança à nossa força de vontade — ele a costurou num gesto que a gente faz todo dia. Comer. Provar. Partir. Repetir. A graça vem embutida no pão para que nem nos dias mais comuns a gente passe sem lembrar.

E há algo mais nesse partir. O pão só alimenta depois de quebrado. Você não sustenta ninguém com um pão intocado. Do quebrantamento de Jesus veio a nossa vida — e Deus ainda opera assim. Ainda usa o que foi partido, o que parece inútil, o que passou pela fratura, para alimentar outros. Se você está num tempo de quebrantamento, ouça isso: você não é refugo. Você pode ser pão nas mãos de Deus.

Há dois mil anos, toda geração partiu este pão e lembrou. Cristãos em catacumbas, em florestas, em favelas, em catedrais. Quando você faz isso — quando você para e lembra — você não está sozinho. Você se senta à mesa mais antiga e mais cheia do mundo.

Então hoje, faça isto: antes da primeira mordida — antes do café, antes do almoço, o que for primeiro — pare. Segure o alimento nas suas mãos. E agradeça devagar. Não com pressa. Pelo corpo de Cristo entregue em favor de você. Deixa a memória chegar. Deixa a gratidão ser real.

Fica com Deus. Ore — e depois, aja. Até amanhã, meu querido.