Dia 61 · segunda-feira, 2 de março
"Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem."SALMOS 23:4
Oi, meu querido… que bom ter você comigo hoje. É o By God's Call — dia 61, Pelo Vale.
"Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem." Salmos 23:4.
Deixa essa palavra pousar um instante.
Davi não está escrevendo de um lugar tranquilo, sem problemas. Ele está escrevendo de dentro do vale — e mesmo assim, ele canta. Isso me diz alguma coisa sobre a fé. A fé não é a ausência do vale. É a coragem de atravessá-lo.
Repara numa coisa pequena, mas poderosa. Davi diz que anda "pelo" vale. Pelo — não dentro, não embaixo, não morando lá. Ele está em movimento. O vale tem entrada. E o vale tem saída. Você não foi feito para se instalar no sofrimento. Você foi feito para atravessá-lo. Isso não é negação da dor — é a verdade sobre ela. Isso aqui é passagem, não morada.
E repara mais: ele fala em "sombra." Sombra assusta, sim. Mas sombra não fere. E tem outra coisa sobre a sombra que a gente esquece — sombra só existe onde há luz acesa em algum lugar. Se há escuridão ao redor de você hoje, isso não significa que a luz apagou. Significa que tem uma luz — e você está do lado errado dela por enquanto. A escuridão do vale não é a palavra final.
Mas aqui está o coração do salmo. Aqui está onde Davi vai fundo. Em algum momento nesse versículo, ele para de falar sobre Deus e começa a falar com ele. Começa com "pois tu estás comigo" — e aí a oração muda de registro. Não é mais "ele é o meu pastor." Agora é "tu estás comigo." Você viu isso? A dor encurta a distância da oração. Às vezes a única coisa que o vale faz é nos empurrar para dentro de Deus — e isso, meu querido, já é graça suficiente.
Deus não prometeu um desvio. Não prometeu que você vai contornar o vale. Prometeu a si mesmo dentro dele. E às vezes, quando você está no vale e tudo que consegue dizer é "tu estás comigo" — isso vale mais do que qualquer explicação. Mais do que qualquer porquê.
E ele vem com vara e cajado. A vara para defender — quando o perigo se aproxima, o Pastor vai à frente. O cajado para corrigir — quando você se perde no escuro e começa a andar na direção errada, ele te alcança, te puxa de volta, te redireciona com ternura. Não é um Pastor distante que te observa de cima. É um Pastor presente, atento, que conhece o seu nome e conhece o seu vale.
Então hoje, antes do café, quero que você faça uma coisa só. Ore o Salmo 23:4 em voz alta. Mas não de forma genérica. Coloca o nome do seu vale atual. Diz assim: "Mesmo andando por esse momento de incerteza…" ou "mesmo andando por esse luto…" ou "mesmo andando por essa doença…" — "não temerei. Pois tu estás comigo." Diz isso em voz alta. Deixa a sua boca proclamar o que a sua alma ainda está aprendendo a crer.
Fica com Deus. Ore — e depois, aja. Até amanhã, meu querido.